A população de Caratinga poderá enfrentar uma profunda mudança na mobilidade urbana a partir do dia 15 de junho. A Viação Rio Doce anunciou o encerramento das atividades do transporte coletivo municipal após mais de duas décadas de operação na cidade. A decisão foi confirmada pelo presidente da empresa, Rinaldo Grossi, durante coletiva realizada nesta semana.
Segundo a empresa, o principal motivo para a paralisação é a inviabilidade financeira do serviço. De acordo com Grossi, o contrato de concessão com o município venceu em outubro de 2023 e, desde então, a operação vinha sendo mantida sem renovação formal. A empresa afirma que os custos operacionais passaram a superar a arrecadação obtida com as tarifas.
Entre os fatores apontados para a crise estão a queda no número de passageiros, o aumento das gratuidades e a concorrência com aplicativos de transporte, táxis e mototáxis. Conforme divulgado pela concessionária, cerca de 7 mil gratuidades são registradas mensalmente no sistema urbano da cidade.
O anúncio provocou preocupação entre moradores que dependem diariamente dos ônibus para trabalhar, estudar e acessar serviços essenciais. Nas redes sociais e em veículos locais, a possibilidade de interrupção do transporte coletivo gerou debates sobre os impactos sociais e econômicos da medida.
Em nota, a Prefeitura de Caratinga informou que apresentou propostas de reajuste no subsídio mensal destinado à empresa, incluindo valores acima da inflação, na tentativa de manter o serviço em funcionamento. No entanto, a concessionária alegou que as propostas não garantiam sustentabilidade financeira para continuidade da operação.
Diante do impasse, o Executivo municipal informou que já iniciou estudos para abertura de uma nova licitação do transporte coletivo urbano. A administração também avalia a implantação futura da chamada “tarifa zero”, modelo em que os passageiros não pagam passagem e o sistema é subsidiado pelo poder público. Apesar disso, ainda não há prazo definido para adoção da medida.
A situação de Caratinga reflete uma crise mais ampla enfrentada pelo transporte público em diversas cidades da região e do país. Municípios como Coronel Fabriciano e Ipatinga também registram dificuldades envolvendo contratos, equilíbrio financeiro e manutenção dos serviços. Especialistas apontam que a redução de passageiros após a pandemia, aliada ao crescimento dos aplicativos de mobilidade, tem pressionado empresas e administrações municipais a repensarem o modelo tradicional do transporte coletivo.
Até o momento, não foi anunciada oficialmente nenhuma empresa substituta para assumir a operação após o dia 15 de junho. Enquanto isso, cresce a expectativa da população por soluções emergenciais que evitem a interrupção do serviço e garantam o deslocamento diário de milhares de usuários.



