Nova York — 15 de agosto de 2024. Uma coalizão de organizações internacionais de defesa da liberdade de imprensa divulgou uma carta aberta ao governo dos Estados Unidos pedindo a suspensão imediata do envio de armas a Israel. O apelo foi endereçado ao secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, e teve apoio de diversas entidades, incluindo a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).
O documento cita que, desde o início da ofensiva israelense na Faixa de Gaza, pelo menos 160 profissionais da imprensa foram mortos, configurando o maior número de jornalistas mortos em um único conflito desde a Segunda Guerra Mundial. As entidades afirmam que o fornecimento contínuo de armamentos pelos Estados Unidos está contribuindo para a escalada da violência e para a violação de direitos humanos.
A carta denuncia ainda a destruição de veículos de comunicação, ataques a sedes de emissoras locais e o bloqueio de informações, o que, segundo as organizações, dificulta o acesso da comunidade internacional à realidade do conflito. “A imprensa tem sido alvo sistemático. Proteger jornalistas é proteger o direito global à informação”, diz o texto.
O governo norte-americano não comentou oficialmente o pedido, mas fontes diplomáticas indicam que o tema será debatido em reuniões internas do Departamento de Estado. Já Israel alega que suas ações têm como foco o combate a grupos armados e nega a existência de ataques direcionados a profissionais da imprensa.
O episódio reacende o debate internacional sobre a liberdade de imprensa em zonas de guerra e o papel das potências mundiais na regulação do comércio de armas. Organizações humanitárias alertam que o conflito já ultrapassou níveis alarmantes de destruição e cobram uma investigação independente sobre possíveis crimes de guerra.


