O julgamento de seis homens acusados de envolvimento em um duplo homicídio e em uma tentativa de assassinato começou na manhã de terça-feira (14 de outubro de 2025), em Ipatinga, no Vale do Aço. O caso, considerado um dos mais violentos registrados na cidade nos últimos anos, atraiu a atenção da imprensa e mobilizou um grande esquema de segurança no entorno do fórum.
De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), os réus são apontados como integrantes de um grupo criminoso ligado ao tráfico de drogas e são acusados de matar duas pessoas e tentar tirar a vida de uma terceira, em um ataque ocorrido no dia 24 de maio de 2024, no bairro Planalto II. As vítimas foram surpreendidas quando estavam em frente a uma residência e não tiveram tempo de reagir.
Segundo a denúncia, os criminosos chegaram ao local em dois veículos e efetuaram diversos disparos com espingarda calibre 12, pistolas .40 e .380 e revólver calibre .38, fugindo logo em seguida. As investigações apontaram que o ataque foi motivado por disputa entre facções rivais pelo controle do tráfico na região, além de vingança por uma execução anterior.
Durante o julgamento, o promotor responsável pelo caso destacou a importância do júri como instrumento de justiça e afirmou que o processo simboliza “um avanço na resposta do Estado contra o crime organizado e uma forma de dar voz às vítimas da violência”. A defesa dos acusados, por sua vez, negou o envolvimento do grupo e alegou falta de provas diretas que comprovem a autoria dos disparos.
O júri, composto por sete cidadãos, foi realizado no plenário da Câmara Municipal de Ipatinga, devido à necessidade de espaço e segurança reforçada. O julgamento deve se estender por mais de um dia, com previsão de ouvir testemunhas, apresentar laudos periciais e permitir o interrogatório de todos os réus.
O clima dentro e fora do fórum foi de tensão, com familiares das vítimas pedindo justiça e forte presença da Polícia Militar e da Guarda Municipal para garantir a ordem. O resultado do julgamento será decisivo para o andamento de outras investigações que envolvem o mesmo grupo criminoso, apontado como responsável por uma série de execuções no Vale do Aço.
O caso reforça a gravidade da violência ligada ao tráfico de drogas na região, um problema que tem preocupado as autoridades de segurança e exigido ações integradas entre as polícias, o Judiciário e o Ministério Público para combater o avanço das organizações criminosas.



