Empresas de engenharia de Coronel Fabriciano são condenadas por uso de software pirata

Duas empresas de engenharia de Coronel Fabriciano, no Vale do Aço, foram condenadas pela Justiça de Minas Gerais por utilização de softwares sem licença. A decisão foi proferida pela 18ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que determinou o pagamento de indenização de R$ 177,3 mil à empresa desenvolvedora dos programas utilizados irregularmente.

O processo teve início após uma perícia judicial identificar a instalação irregular dos programas “AutoCAD 2014” e “Revit 2021” em um notebook utilizado no setor de engenharia das empresas. Os softwares pertencem à Autodesk, companhia de tecnologia responsável pela ação judicial.

Inicialmente, o pedido havia sido considerado improcedente em primeira instância. Entretanto, ao analisar recurso apresentado pela Autodesk, os desembargadores reformaram a sentença e estabeleceram indenização equivalente a dez vezes o valor de mercado das licenças originais dos programas, conforme prevê a legislação de direitos autorais.

Durante o processo, as empresas alegaram que o notebook periciado pertenceria a um engenheiro terceirizado e sustentaram que não utilizavam os softwares em suas atividades. Também classificaram o valor da condenação como excessivo. Ainda assim, o relator do caso, desembargador Sérgio André da Fonseca Xavier, entendeu que as empresas possuem responsabilidade sobre os equipamentos e atividades desenvolvidas em seu ambiente de trabalho.

Na decisão, o magistrado destacou que a presença de softwares sem licença no setor técnico das companhias gera presunção de benefício econômico em favor das atividades empresariais. O acórdão também ressaltou que a prova pericial prevalece sobre depoimentos testemunhais em casos envolvendo pirataria de software.

Além da indenização, as empresas foram penalizadas com multa de 2% sobre o valor da causa por litigância de má-fé. Segundo os desembargadores, os embargos apresentados tinham o objetivo apenas de atrasar o cumprimento da decisão judicial.

Especialistas apontam que a utilização irregular de softwares corporativos pode gerar consequências financeiras e jurídicas significativas para empresas de diversos setores, especialmente nas áreas de engenharia, arquitetura e tecnologia, onde programas licenciados possuem alto valor de mercado. Casos semelhantes envolvendo softwares piratas já foram registrados em diferentes regiões do país ao longo dos últimos anos.

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